
LINK: https://mapacultural.secult.ce.gov.br/oportunidade/5424/

FICHA TÉCNICA
Coordenação/Curadoria/Catalogação: Myreika Falcão
Higienização/Catalogação: Ivânia Maia e Antonio Camocim
Curadoria/Catalogação: Valdemir Balbino
Audiodescrição: Renatta Franco (Roteiro), Lara Lima (PcD visual – Consultoria)
Design: Caio Pinheiro
Realização: APREMFECE
APOIO: Associação dos Engenheiros da Rede de Viação Cearense (AERVC)
APRESENTAÇÃO DO PROJETO
O projeto consiste na seleção, pesquisa, digitalização, disponibilização no blog do projeto de fotos inéditas produzidas analogicamente, entre os anos de 1968 a 1992, com registros do cotidiano de trabalho da RVC e RFFSA: seus funcionários, os ambientes internos, as estações, a via permanente, os usuários de trem, eventos e outros assuntos, contidos na coleção fotográfica da RVC/RFFSA, hoje sob guarda da Associação dos Engenheiros da Rede de Viação Cearense (AERVC) da qual a Associação de Preservação da Memória Ferroviária do Estado do Ceará (APREMFECE) é parceira e trabalha na salvaguarda deste acervo desde 2015.
OBJETIVO GERAL DO PROJETO
Salvaguardar o precioso acervo fotográfico da RVC/RFFSA a fim de prologar a vida útil do mesmo e fomentar o debate acerca da importância da Ferrovia na memória cearense.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS DO PROJETO
JUSTIFICATIVA
A história da Ferrovia no Ceará começa na época do império, em 30 de novembro de 1873, partia de Fortaleza o primeiro trem, a locomotiva a vapor Maria Fumaça. A Estação Central João Felipe de Fortaleza foi inaugurada em 09 de junho de 1880. Saindo da capital os trilhos passaram por várias cidades e chegaram até o sertão. A construção da ferrovia foi de fundamental importância para o desenvolvimento do Ceará. Impulsionou a economia, gerou muitas riquezas e era o principal transporte dos mais pobres. No período das secas, muitos retirantes vinham de trem do interior para tentar a sorte na capital. O trem transportava além de pessoas, mercadorias diversas que eram trazidas do interior para abastecer os armazéns, casas de comércio, mercados e indústrias na Cidade. Além da economia, dos inúmeros empregos gerados, da dinâmica social e de ser um meio de transporte rápido, seguro e barato, o trem exercia uma magia sobre as pessoas. A cada estação, encontros e desencontros, amizades, amores, alegrias e novidades. De um local para o outro, o trem levava jornais e revistas e as notícias do mundo. A capital Fortaleza e várias cidades do interior devem muito do seu crescimento à construção da estrada de ferro. Tudo isso só foi possível graças ao emprenho de uma gigantesca equipe bem coordenada e empenhada no sucesso da empresa. Queremos dar visibilidade aos invisíveis da ferrovia, profissões que ocupavam cargos fundamentais, mas por serem desempenhados por pessoas de pouca escolaridade, eram inferiorizados, como: o foguista, o ronda, o guardada-chaves e o trabalhador da via permanente, entre outros. Destacaremos também as mulheres da Ferrovia, educadoras dos filhos dos ferroviários, do importante Recursos Humanos e das fundamentais sessões administrativas e serviços gerais. Pensando na importância de difundir a história e as memórias ligadas à ferrovia, que elaboramos uma proposta em que a linguagem foto(etno)gráfica é o principal elemento narrativo. Mostrando que o trem trazia movimento, alegria e vida para as cidades, que por trás disso estavam os ferroviários que eram e são até hoje uma grande família, viveram histórias inesquecíveis e têm muito orgulho do trabalho que exerceram, lutando até hoje pela salvaguarda desse importante patrimônio histórico e cultural do nosso povo. Com base na antropologia visual e explorando o potencial narrativo das imagens, não apenas como um mero registro ou uma representação da realidade, mas uma extensão desta, é que pretendemos trabalhar com esse acervo. Estaremos resignificando e repensando as experiências dos agentes do passado, conservando a riqueza desse patrimônio, tirando do local de esquecimento, dando vida e sentido a cada registro. Queremos ampliar o debate sobre a interpretação do historiador sobre a descrição iconográfica, conferindo novos desafios para a compreensão do outro na trajetória histórica. Apropriamo-nos do pensamento de Samain que diz que não existe fotografia que não seja portadora de um conteúdo humano e que toda fotografia é um olhar sobre o mundo. É um objeto de construção de novos conhecimentos, carregados de significações. Por meio do encantamento ou estranhamento, as imagens vão nos permitir enxergar os fatos passados, as formas de pensar e dialogar com a vida nos trilhos. Esse rico acervo encontra-se sob guarda da AERVC que tem a proponente como parceira desde 2015 lutando pela salvaguarda e difusão desses registros iconográficos em grande parte desconhecidos do público, memórias registradas e reveladas analogicamente por fotógrafos anônimos da antiga RVC/RFFSA de 1968 a 1992.
